quarta-feira, 3 de junho de 2015

A paixão pela sociedade

Eu já me apaixonei muito, já fui capaz de me submeter a qualquer loucura por um lugar no coração das pessoas, eu queria muito isso...
Ser aprovado por elas.
Uma pessoa com uma personalidade singular como a minha, dificilmente encontra outra pessoa com uma personalidade que se encaixa, então passa a vida a levar com rejeições.
As pessoas fizeram com que eu caísse várias vezes e negaram qualquer pedido de ajuda da minha parte.
Ainda hoje eu suporto a raiva de ter de me habituar a levantar sozinho porque não houve uma única alma santa que o fizesse.
Eu nunca quis estar no grupo dos excluídos da sociedade, sempre quis estar nos inclusos, eles eram melhores aos meus olhos, tinham o amor social, mesmo praticando más acções, eles eram maus rapazes, mas aclamados.
Quando era uma criança eu sonhava com isso, ser aclamado e mesmo não gostando do que era preciso fazer para ser aclamado, eu o faria.
Não havia sensação melhor do que imaginar todo o mundo me julgando como grande, o mais popular da escola, o todo.
Mas eu sempre fui deixado de lado, ser grande nunca passou de um sonho, eles deitavam-me a baixo, obrigavam-me a baixar a cabeça.
Foram tantas rejeições que eu precisei de levantar a minha cabeça sem as pessoas e encontrar um lugar dentro de mim para substituir o conforto que eu procurava nelas.
Hoje a única coisa que eu sinto pelas pessoas da sociedade é raiva, não as consigo perdoar, até porque, mesmo tentando me juntar novamente a elas, elas continuam fazendo me pensar que não sou bem-vindo por elas.
É difícil para mim voltar a gostar delas se elas não me falam e fazem me passar grandes secas, como é que eu posso me viciar numa monotonia que eu odeio?
O máximo que eu posso fazer é controlar o sofrimento causado por ela caso seja mesmo necessário, mas amar a monotonia...
Jamais!
Então eu vou-me habituando a estar afastado das pessoas, suportando o sofrimento de não ter aquela pessoa pouco monótona ao meu lado para comigo falar assuntos novos.
Bem...
Eu não odeio assim tanto as pessoas, nunca desejei mal a ninguém, mas há muito poucas de que eu goste, simplesmente porque elas não suportam ver-me calado, elas sabem que quando eu estou calado ao lado delas é porque quero que elas tomem a iniciativa de falarem comigo.
Isso não quer dizer que eu não tenha espírito de iniciativa, eu simplesmente não o quero usar e gostava que todas as pessoas com quem eu me relaciono ou com quem, pelo menos, me tento relacionar, percebesse

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